A (im)perfeição da mulher.

Desde pequeno (leia “criança”) eu convivo com muitas mulheres. Não, mentes poluídas, não desse jeito. Mulheres que me criaram, que me ensinaram o básico e o avançado para ser uma boa pessoa. Em honra a elas, venho tentando cumprir esse desafio. Além das mais velhas, ganhei, há poucos anos, muitas mais, entre primas e irmã. Somado a isso tudo, ainda vêm grandes amizades femininas, reais, que cultivei no decorrer dos tempos. Algumas ficaram pra trás, outras ainda me acompanham. Imprescindíveis, todas elas, para a minha atual posição como pessoa.

Cada uma dessas mulheres mencionadas são bem diferentes, mas todas têm em comum uma coisa: a imperfeição. Sim, todas cheias de defeitos e qualidades, mas nenhuma perfeita. Ora, então onde estariam as mulheres perfeitas? Bem, há muitas, na verdade. Podem encontra-las nas histórias de Nicholas Sparks ou nos filmes de princesas da Disney (mas só as antigas; as mais novas estão muito rebeldes..). Fora isso, a tal perfeição da mulher, descrita, muitas vezes, como aquele ser imune de pecado, que não deve se mostrar tanto, deve se “cuidar” e por aí vai, não se aplica mais.

Infelizmente, muitas mulheres acabam buscando esse caminho. Mas não porque querem, e sim porque pensam ser a forma certa de agir, ignorando a própria essência individual que é peculiar a cada uma delas. Em suma, se adequar a alguns padrões. E o pior é que quem dita essas coisas, no fim, são os homens. Absurdo, não? Onde já se viu um lugar onde os homens é que decidem como as mulheres devem ser, e se elas não seguirem esses mandamentos masculinos, serão taxadas de tudo quando é coisa ruim? No mundo todo, pasmem.

E nem adianta discordar, porque essa é a triste verdade. É triste ouvir que uma mulher é meretriz (crianças, procurem no dicionário) por ela usar uma saia curta ou um short menor do que o dito aceitável. É horrível quando se diz que uma mulher não está se cuidando ao ficar com vários homens, enquanto estes, quando mais pegarem mais próximos de um deus eles estarão para seus companheiros. É péssimo quando se diz que uma mulher tem culpa, a mínima que seja, de sofrer assédio, dos verbais aos físicos, e os últimos sendo os piores possíveis, que rebaixam o ser humano a um patamar inferior aos dos animais.

Imagina, uma mulher tem culpa se o homem não conteve o espírito de animal que reside dentro dele, pois ela, com suas roupas provocantes (dependendo do lugar, pode ser até uma burca), os incentivaram a cometer os tais atos repugnantes que todos já conhecem. Feiticeira essa mulher, né?

Mas sempre foi assim, não? “Mulher ideal é aquela pra casar”. Rapaz, eu fico pensando, o que seria essa “mulher pra casar”? É aquela que vai buscar uma cerveja na geladeira enquanto o marido assiste a algo na TV? É aquela que arruma a casa? Faz comida? Que se veste de forma “não vulgar”, assim como se diz? Que diz “sim, senhor”? É aquela que obedece, sem perguntar? É aquela que se prepara desde pequena pra ser mãe? Olha, não duvido que muitas pessoas pensem dessa forma. E se pensarem, mulheres, alerta, não se casem. Seguindo a lógica, cada vez menos “esposas ideais” existirão, já que as mulheres (essas danadas…) agora trabalham fora, pagam as contas, ficam menos tempo sendo donas de casa e mais tempo sendo “donas da casa”. Ainda bem.

É bem verdade que ainda há muitos homens com medo das mulheres. Medo que elas “tomem” seu lugar na empresa; façam “coisas de homem”, como as já listadas acima; façam eles parecerem menos machos na frente dos outros amigos muito machos deles. Alguns têm medo que elas simplesmente trabalhem, preferindo colocar o discurso de que “é dever do homem sustentar a sua mulher, e não o contrário” quando eles, na verdade, gostariam de dizer “porra, tu trabalhar? Teu lugar é em casa!”. Frisando que isso se restringe a uma parcela pequena, vulgo maioria, dos homens, então não é a todos que eu me refiro nesses elogios. Mas ó, vamos concordar, que “pra ela ter pegado aquela posição na empresa, ela dormiu com o chefe, né?”.

Por que é tão difícil, para certas pessoas mergulhadas em machismo borbulhante, aceitar que a mulher é um ser humano como o homem? Que a mulher sofre, se alegra, chora, ri, se decepciona, se realiza, luta, batalha e tantas outras coisas, assim como o homem faz. Dou graças que nos últimos tempos tenho tido a oportunidade de ver o sexo feminino lutando cada vez mais para conseguir seus direitos. E, claro, isso incomoda muita gente (homens). No fundo, o ideal seria que ambos os lados fossem tratados como seres humanos, e não como seres diferentes, vindos de mundos diferentes e tudo mais.

Uma vez um velho me falou essas palavras, que procuro colocar na minha vida cada vez mais: “(…) Mulheres são maltratadas demais no dia a dia, e merecem todo respeito possível. Além do mais, invariavelmente, elas são mais espertas do que nós. Sem falar que querem as mesmas coisas. Não devem ser tratadas como seres de outro mundo. Querem também se divertir; querem namorar; querem transar; querem conversar. Os desejos que nós temos, elas também têm. Quando digo para trata-las com respeito, é para trata-las como iguais.” Acredito que é autoexplicativo, certo?

É importante saber que, no fim, não se encontra uma mulher (ou homem) perfeita. Ela será perfeita para os olhos de quem a ama, mas a ama de verdade, assim como quem ela ama também será perfeito para ela. Tentar taxar uma mulher de “pra casar” e “pra pegar” é nojento, de verdade. Primeiro que quem usa esses termos já não fica bem visto (e com certa razão) pelas tais “mulheres para casar”. Segundo que, se realmente for pra casar com ela, antes de falar dela, tente conquista-la, mas sem ser babaca nem nada, ok?

Abraços.

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5 comentários sobre “A (im)perfeição da mulher.

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