Hoje eu acordei com ela

Hoje acordei e ela estava do meu lado. Eu queria levantar, mas ela disse “fica mais um pouco”, e eu fiquei. Mas não tardei muito e logo estava de pé. Esfreguei os olhos e observei através da janela do meu quarto. O sol ainda nem tinha aparecido direito, mas ela já estava ali comigo, me acompanhando. Eu nada disse a ela, nem sequer lhe dei atenção, pois não a queria li de fato.

Troquei de roupa e saí para fazer compras. Nas ruas, ela estava me seguindo, sempre bem perto, quase que servindo de guardiã. De vez em quando ela falava alguma coisa, mas eu tentava não escutar. Ignorava o quanto desse, mas sempre passava alguma palavrinha canalha. Não deixei que isso, porém, me prendesse.

Voltei e fiquei em casa por alguns minutos. Ela havia sumido, mas depois a achei de novo deitada na minha cama. Eu disse a mim mesmo “não, vou sair mais uma vez” e fui caminhar. Tomei o rumo da praia, que estava até bem cheia, coisa que raramente acontece, mesmo em um domingo. Atravessei a rua e toquei a areia, mas não antes de tirar as sandálias para poder sentir aquele calor reconfortante na sola dos pés. Então comecei a andar. Estava sozinho. Até que ela apareceu de novo.

Tentei ignora-la, mas o sol forte me fazia fechar os olhos e assim eu a ouvia melhor. Toda vez que eu fecho os olhos eu a escuto mais. Cada passo parecia mais pesado, pois ela me pressionava levemente. Virei os olhos para uma partida de futebol que acontecia ali e fiquei assistindo. Ela sumiu, pois eu não lhe estava dando atenção. Mas de súbito retornou, me abraçando forte e me fazendo perder de leve o equilíbrio.

Resolvi tomar o rumo de casa novamente. E em todo o caminho ela estava ali comigo, não me deixando sozinho. Já no meu quarto, permaneci ali durante quase todo o resto do dia. Sai um minuto para fazer um café e depois retornei aos meus deveres. Sentei na minha cadeira, mas ela também estava sentada lá, e isso me deixou incomodado e desconfortável. Deitei-me depois do almoço e sonhei, mas não lembro exatamente sobre o que. Acordei e ela estava ali, bem do lado, esperando eu voltar dos meus sonhos.

Depois de um tempo, não aguentei e resolvi escrever, pra ver se aliviava um pouco. Mas por mais que eu tentasse, ela não desaparecia. Ela parece gostar de mim, mas eu, por mais importante que a presença dela possa parecer pra mim, a odeio. Eu a mando para os infernos sempre que me lembro, mas ela apenas sorri e se vai, voltando depois de alguns minutos. E assim vivemos juntos, eu e ela. Já faz tempo, mas não sei se algum dia vou me acostumar a sua presença aqui, pois sei que ela nunca vai me deixar.

Hoje eu acordei com a saudade, e hoje ela não me deixou.

 

Abraços.

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