Relacionamentos terríveis

Talvez o maior dos problemas dos relacionamentos de hoje seja a falta de empatia. Sim, a falta de um olhar sincero entre o casal. A falta de uma coisa extremamente simples e fundamental, quase que imprescindível para qualquer tipo de relação, seja de amigos ou casal mesmo. Ena última parece às vezes não há uma vontade além daquela vinda da necessidade física de um abraço, de um beijo, de sexo e tudo mais. E quando um relacionamento depende apenas do contato físico assim ele é totalmente passível de acabar.

 

E falta isso: algo além. Falta uma parceria entre os dois; falta aquela paciência que apenas os parceiros mesmo têm um com o outro. Às vezes a impressão que dá é a de que eles estão ali por conveniência, por necessidade emocional. Parece que ficar solteiro é uma dor tão grande que vale mais a pena se submeter a uma relação sem sentimento, em que o casal é mais feliz nas redes sociais do que juntos, por status social ou mesmo pela falsa ideia de felicidade. E, de novo, isso jamais dura se o único sustento for alto tão frágil.

 

Uma relação em que um dos dois não consiga sentir parte, só uma parte da dor do outro é pobre e falível. E a dor pode ser variada: dor de brigar com a mãe ou pai por algum motivo, dor de uma nota ruim numa prova, dor de uma ressaca, dor de estar doente ou até a dor de saudade. Não conseguir dedicar um pouco de atenção, nem de meia hora que seja, para essas dores só mostra que a maior dor é a de aguentar uma junção entre duas em que apenas uma se esforça. Em que apenas um dos dois sente algo pelo outro.

 

O fato é que muitos desses casais não são amigos. E não digo melhores amigos, mas amigos o suficiente para serem sinceros um com o outro, para discutir pacificamente, para encarar os problemas como duas pessoas que se gostam, e não apenas que estão juntas por conveniência. Talvez isso aconteça porque é mais fácil: é muito fácil dizer “eu te amo” no início da relação e alguns dias depois já estar dando em cima daquela pessoa que estuda com a gente na universidade, aquela do trabalho, aquela que sempre aparece no elevador e por aí vai. É muito fácil dizer e não sentir; mas os amigos sentem, os amigos se preocupam um com o outro de verdade, e por isso quando há um pingo de amizade, de parceria mesmo, não há nem metade dos problemas que normalmente existem.

 

Não vale a pena chorar por quem não choraria conosco. Nem mesmo por alguém que não se esforçaria para limpar nossos olhos e dizer “não chora, eu tô aqui contigo”. As paixões vão facilmente embora, pois elas vêm rápidas e sem aviso algum. Um olhar define uma paixão. E um desvio de olhar mostra o fim dela. Às vezes é duro admitir, mas é necessário. É preciso entender que a paixão acabou, pois alguém amava, e o outro apenas era o que era amado. Que alguém carregava o peso de amar, enquanto o outro era apenas carregado.

 

Se não há nada além do físico numa relação, então não existe relação de fato. Existe uma troca de carências e de tristezas. E muitas vezes é melhor sair triste de uma paixão do que viver infeliz em um falso amor.

 

Abraços.

 

Escrito junto de Bruna Macêdo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s