Você está feliz consigo mesmo?

Isso não é uma pergunta tirada de algum livro de autoajuda, nem o texto tem essa função. É apenas uma forma de começar esse tema: você realmente está se sentindo feliz consigo mesmo? Realmente acredita que tudo que está fazendo, independente da sua idade ou do que faz da vida, te deixa feliz? Não acha, talvez, que algo esteja faltando, mas mesmo assim não saberia dizer (caso a resposta seja “sim”) o que é esse “algo” que falta? É bem capaz que se você estiver lendo isso não esteja tão feliz assim.

 

Às vezes se você passar pela sua timeline do Facebook, se você tiver um, verá muitas postagens pessimistas e meio tristes. Trechos de poemas tristonhos, montagens com fotos de casais em preto e branco junto de frases (muitas vezes em inglês) falando sobre separação, gifs de momentos solitários e sombrios e cortes de filmes e séries (tipo de “How I Met Your Mother”) com cenas bem pra baixo. Enfim: conteúdo triste.

 

É bem capaz de que tudo isso seja apenas vários “amigos” de Facebook querendo usar a tristeza como autopromoção (sim, isso existe mesmo), querendo demonstrar ser uma pessoa pra baixo e sombria. Ou até porque eles gostam dessas coisas e pronto, sem nada a ver com sentimento de tristeza. Mas também é possível que essas mesmas pessoas estejam sofrendo de verdade. Postar, compartilhar e escrever coisas tristes pode ser a forma que elas encontraram de lidar com os problemas. E não existe isso de sofrer menos ou mais, porque o que pode ser a dor de uma perda de um parente pra uma pessoa, para outra, pode ser a não aprovação em alguma prova ou entrevista de emprego. As pessoas sentem as mesmas coisas de forma diferente, e ninguém pode dizer quem está errado ou certo nisso.

 

Então, volto a indagar: você está feliz? Olhando em volta, para o seu ciclo de amizades, para seus familiares, para o seu dinheiro, seu curso, seu trabalho, por aí vai, e pensando nessa pergunta que faço novamente, qual seria sua resposta? Às vezes não é fácil dizer que não está feliz, mesmo tendo “tudo” para ser: dinheiro a mais na conta bancária, um parceiro bonito, notas boas na escola/universidade, muitos amigos que gostam de você, etc. Mesmo com tudo isso, é bem possível estar triste.

 

Isso porque a tristeza é algo natural, assim como a felicidade. E às vezes, assim como o sentimento inverso, sentir-se triste não tem tanta explicação aparente. Alguns dias você acorda sem saber de onde vem aquela dor no peito e aquela vontade chata de não sair da cama (não tô falando de preguiça ou sono) e ficar no ócio. Às vezes você acorda super alegre, esbanjando sorrisos e boas energias; outras vezes não. E ambas são naturais.

 

Já parou para pensar se vale mesmo a pena acordar todos os dias e ir estudar Direito Penal se você queria mesmo era estar na faculdade de Letras? Já se indagou se você gosta mesmo de estar com o seu parceiro, mesmo que ele possa te levar nos locais mais caros da cidade, mas não saber nem que você cortou o cabelo ou elogiar sua roupa sem motivos? Algum vez já reparou se os seus amigos pelos quais você tem tanto carinho e preocupação perguntaram se você está bem, mesmo vendo que as suas postagens na internet ou ausência de saídas denotem claramente que não? Já pensou que você pode estar fazendo tudo errado para si mesmo, mas que tem medo de ter de recomeçar, seja temendo não conseguir se reerguer ou por comentários de terceiros?

 

Você tem o direito de se sentir triste, realmente tem. Mesmo com coisas que muitas pessoas achem banais. Pode se sentir triste por não ter o corpo que queria ou por não conseguir cantar como seu artista favorito. Pode se sentir pra baixo por ter um amor não correspondido ou por não ter vencido a final do campeonato de futebol da escola. Pode se sentir mal tirando uma nota boa, mas abaixo do esperado ou até se você brigar com alguma pessoa importante para você. Ninguém deveria se sentir triste nunca, mas às vezes é inevitável, e não há vergonha nisso.

 

“Ah, isso é frescura! Já passei por coisa muito pior!”, alguns podem comentar. Uma pena que eles passaram por coisas “piores”, e que bom que eles, supostamente, superaram isso. Mas pessoas assim erram ao classificarem os outros como fracos só porque eles mesmos “sofreram mais”. Como eu disso lá em cima, nós todos sentimos de forma diferente. Tem gente que não sofre com o que você sofre, e vice versa: alguns superam término de relacionamentos mais duradouros do que os seus mais rapidamente, ou não se abalam com xingamentos e tão pouco se importam tanto com o peso ou uma barriga não chapada. Não importa, elas não tem de sofrer o mesmo que você para a sua tristeza fazer sentido.

 

Da mesma forma, tem muitas pessoas que não ficam tão felizes quanto você por, de repente, receber um presente inesperado, um “bom dia” em plena segunda, um convite para almoçar em um lugar não tão pomposo, um sorriso de uma criança desconhecida na rua, a euforia do seu cachorro ao ver que você voltou para casa ou até mesmo quando te mandam uma mensagem despretensiosa sobre um poema de um escritor que você nunca ouviu falar dizendo “olha, lembrei de você”.

 

Sentimos diferente tudo, em absoluto.

 

Não fique constrangido por se sentir infeliz. Isso é normal. Talvez o que seja importante é ver o que pode ser o motivo (se houver algum; pode não haver mesmo) desse mal estar, e tentar cortá-lo. Muitas vezes, isso é fato, você terá de fazê-lo sozinho, pois nem todo mundo tem paciência e empatia o suficiente para se permitir ajudar. Alguns, querendo ou não, se limitam ao “você vai melhorar”, “vai passar logo” e “não fica assim”, mas é porque eles não têm tanto a dizer mesmo. Não é culpa deles. Não se ater apenas a essas pessoas em momentos de tristeza é que conta muito. Tentar estar junto de pessoas que, pelo menos, tentem entender ou sentir o que você sente é que ajuda muito no controle da tristeza. Mas, muitas vezes, buscar a paz sozinho pode ser ainda mais eficiente, mesmo que não pareça.

 

A tristeza vem sem avisar, assim como a felicidade. E ambas podem ser controladas, para que não cheguem a um ponto de saturação. Mas se a mágoa, a melancolia e o pessimismo estiverem maiores do que o normal, faça como Neil Gaiman disse certa vez: “A vida às vezes é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida pode dar errado. E quando as coisas ficam difíceis, isso é o que vocês devem fazer: façam boa arte.”.

 

Desenhem, escrevam, dancem, toquem algum instrumento, cantem, mesmo não sabendo fazer nada disso. Apenas façam arte, a que for; transformar as coisas ruins em coisas boas é uma excelente forma de acabar com esses problemas, mesmo que seja por apenas um dia. E, se no dia seguinte a tristeza estiver de volta, façam de novo arte. Não precisa ser bom. Apenas bom pra vocês mesmos.

 

Abraços e boa sorte.

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