O amor da sua vida talvez nunca chegue.

Tem vezes em que eu olho para casais de idosos na rua, desses que já precisam de bengalas e sustentação a mais, e me sinto alegre. Penso que os dois conseguiram, por tantos anos, permanecerem juntos e (espero) felizes. Usando essa expressão: que encontraram um no outro o amor de suas vidas; aquele com quem os dias parecem mais alegres, as coisas simples mais proveitosas e a ideia de partir menos pesada, pois a vida em si é feliz ao lado daquela pessoa. De verdade, me alegro com eles, mas penso que tiveram muita sorte.

 

Eu digo sorte, pois o amor da nossa vida pode nunca aparecer. Não está predestinado isso, em nenhum lugar. Nem destino, nem signos, nem karma, nem universo, nada disso realmente interfere no amor. Se interferissem todos viveriam um sentimento forte e verdadeiro como esse, indo da loucura até a plenitude da alegria. Pois é, nem todos têm essa sorte. Nem todo mundo vai realmente encontrar o dito amor de suas vidas. Acho até que pouca gente encontra, pra ser bem franco.

 

Pode ser que você se apaixone por alguém e viva com essa pessoa por uma parte grande da sua vida. Foram, pra você, os melhores dias que existiram e nunca existirá nada melhor. Mas, por qualquer motivo que seja, o amor acabou. Cada um recolhe suas coisas, seus pedaços que quebraram, suas lembranças boas e ruins e seguem seus rumos, um para cada lado. Então, depois de um tempo, você se depara com uma outra pessoa, que brilha mais, que lhe encara mais nos olhos, que lhe faz querer sair da cama e que diz “eu te amo” com uma sinceridade nunca antes presente na sua vida. Talvez só depois de viver um grande amor você tenha encontrado o amor da sua vida.

 

Talvez você encontre mesmo o amor da sua vida, mas nada garante que ele vai sentir isso por você também. Do seu lado virá declarações, presentes, promessas, sonhos apaixonados, poemas, canções, jantares lindos e o mais sincero amor que alguém pode ter. Porém, a pessoa para quem você está dando tudo isso nem sempre irá te querer tanto assim. Não é culpa sua, e muito menos culpa dela. Não existe culpa no amor ou na sua falta, as coisas simplesmente são assim. E vocês se despedem, com pedidos de desculpa (desnecessários), votos para que as coisas melhorem, e aquela velha frase “eu não sou bom o suficiente para você. Você merece algo melhor” ou qualquer coisa assim. Você pode ter acabado de perder o amor da sua vida, infelizmente, para uma pequena, porém dolorida, variável do mundo do “amar”.

 

É capaz de acontecer o contrário: alguém chegue para você e lhe faça crer que você é o amor da vida dela. Só que você não vê isso; não crê nisso e se sente mal. Coloca em si mesmo a culpa de não conseguir amar aquela pessoa da forma que ela te ama, pensando que será sua mágoa e sua tristeza maiores, pelo menos por agora. Mas isso faz parte, de novo. Faz parte. O amor é uma moeda jogada para cima, que tem iguais chances de acertar ou não. Se para alguém, em relação a você, caiu “amor”, pra você pode acabar não dando a mesma coisa. A vida é assim mesmo, e o amor da vida de alguém, de novo, não aconteceu.

 

Além de tudo isso, eu penso que tem muita gente que tem medo de amar. Por causa de algum trauma, da ideia de ficar preso, da sensação de que pode dar errado e coisas assim as pessoas se fecham. Se negam a tentar amar. Preferem a comodidade de parceiros diferentes a cada noite, sem precisar saber muito sobre eles, do que a profundidade de um amor de fato. Não há nada de errado nisso; cada um escolhe, sem julgar, a forma como prefere se relacionar com os outros. Apenas acho que o receio de amar é muito pior. Ter medo de sofrer por amor é muito pior do que sofrer depois de ter amado. Não conhecer o amor, sendo que ele quer sair de você, é prender um sentimento que pouca gente realmente pode conseguir.

 

É possível ser feliz sem o “amor da nossa vida”? Acho que sim. Felicidade é um conjunto de coisas, entre elas o amor. Pode ser que você conheça o amor da sua vida e o perca ainda jovem; pode ser que você nunca tenha o encontrado e, depois de anos, o encontre de repente. Pode ser, ainda, que você tenha vários grandes amores pela vida, mas nunca o “amor da sua vida”. Pode ser também, enfim, que você nunca ame de fato. Pode ser qualquer uma dessas coisas e ainda ser feliz, sim. Se ser feliz fosse simples, todos fariam a mesma coisa e seríamos eternamente felizes. Pois é, as coisas não são assim.

 

A vida pode seguir seu caminho e você chegar até a idade daqueles dois velhinhos. Pode ser que você tenha o amor da sua vida ao seu lado, e então eu direi que você tem muita sorte. Mas também é capaz de que você tenha de atravessar a rua sozinho, pois a sua metade ou já não está mais consigo, ou vocês resolveram trilhar caminhos opostos ou mesmo nunca apareceu. A questão é que, independente de companhia, a trilha deve ser percorrida. Talvez seja mais fácil caminhar com o amor por perto. Mas, novamente, nem sempre iremos ter um apoio assim para guiar e cuidar de nossos passos. Nem sempre o amor da nossa vida vai chegar. Mas a nossa vida sempre vai continuar.

 

Abraços.

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