O medo de amar.

Ontem conversava com uma amigona e ela me falava de uma decepção amorosa que teve. Ela comentou que no início foi bom, mas logo foi cansando, complicando, vindo brigas e outras coisas típicas de qualquer situação parecida. Coisas que acontecem, infelizmente, com todos nós em algum momento. Então ela disse, da mesma forma que já me repetiu várias vezes passadas: “não quero mais me apaixonar”.

 

Não sei se pra ela não é dessa forma, mas eu acho essa frase muito pesada. Afinal, por quê? O que leva uma pessoa a não querer gostar de outra? De sentir frio na barriga, as tais borboletas no estômago, o suor nas mãos e a vontade de ficar olhando no perfil de alguma rede social as fotos da pessoa? Enfim, o que a leva a não querer se apaixonar? O puro medo, eu acho. E não menosprezo isso, mas me deixa triste ver que tanta gente, desde sempre, pensando dessa forma. É basicamente evitar a possibilidade de ser feliz pelo medo de dar errado.

 

“Mas se apaixonar só dá problema, porque a gente sempre sai magoado no fim. Melhor não arriscar mesmo”. Se fosse dessa forma, não devíamos sair de casa, pois podemos ser assaltados em qualquer lugar; não deveríamos tentar passar num vestibular, porque podemos ficar reprovados. Não devíamos atravessar a rua, porque podemos ser atropelados. Não devíamos tentar ser felizes porque podemos falhar e ficar tristes no caminho. Não devíamos viver, porque no fim todos morremos. E nada disso faz sentido, não? É claro que não. Porque não existe isso de “sempre vai dar errado” em nada, muito menos no amor. Não há nenhuma certeza absoluta quando se fala de amor. Agora, se negar a algo que pode te fazer bem só pelo medo de dar errado é falhar sem tentar.

 

Eu compreendo que muitas vezes não dá certo. Eu sei disso. Muitas vezes iremos nos decepcionar, perceber que a pessoa não é o que pensávamos, que ela não compartilha tanta coisa conosco como imaginávamos, que nos primeiros encontros é gentil, doce e carinhosa, mas depois se mostra grossa, distante e ruim conosco. Muitas vezes iremos amar muito alguém, mas ela pode apenas gostar da gente. Isso tudo é possível. Mas o contrário também, e isso já deveria bastar. O que acontece é que o que mais parece marcar as pessoas é a parte ruim de um relacionamento (como término, brigas, traições, coisas do gênero) quando ele também teve seus momentos alegres e incríveis, sendo curto ou não.

 

Então o que ocorre é haver inúmeras pessoas por aí se recusando a tentar pelo pavor de dar errado. Relacionamentos rasos, frases do tipo “não quero me envolver” e “não quero me apaixonar” ou “odeio o amor” e gente que corta qualquer tipo de relação que possa se tornar algo mais sério. Pessoas desistindo do amor muito antes dele sequer acontecer, abortando esse sentimento. Tudo, em geral, porque não conseguiram superar um último término ou um coração partido. Permanecendo, dessa forma, presas a elas mesmas com medo de serem felizes (e talvez tristes de novo).

 
Não é fácil superar alguém que a gente realmente amou. Leva tempo. Às vezes muito, outras vezes nem tanto e em alguns casos muito mais do que todos nós gostaríamos. Porque não é como se o amor acabasse ou morresse. Não é como se fosse um pedaço de papel que podemos rasgar e jogar fora e esquecer. Acho que a gente se acostuma a ausência, entende que as coisas aconteceram como aconteceram e que nem sempre podemos mudar isso. A gente entende que toda relação, por mais bonita que seja, pode terminar. Mas sempre deixamos algo bom daquela pessoa dentro de nós. Sempre sobra um pouco do amor que tínhamos por ela, seja em forma de admiração ou algo parecido com a gente.

 

Não julgo quem demora a superar um término, muito menos quem tenta evitar qualquer coisa nova por medo. Mas esse último caso me deixa triste, porque o arrependimento vai viver dentro do peito de quem pensa assim. Não é que precisamos de alguém sempre pra sermos felizes. Não é verdade, pois muitas vezes estaremos sozinhos. Isso não é fardo, mas sim um fato da vida: nós podemos estar sozinhos, sem ninguém para amar ou nenhum amor dentro de nós naquele momento. E ainda assim podemos ser felizes só com nós mesmos. Mas cortar a raiz do sentimento antes do amor florescer de novo mata qualquer chance de um novo jardim.

 

Amar e sofrer por amor ainda é melhor do que não sofrer por amar nunca mais. Pois o simples fato de não amar outra vez já é, por si só, um sofrimento que mal se pode aguentar.

 
Abraços.

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